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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Perigos de terapia pela arte.

Quais os perigos da Terapia pela Arte? Alguns deles exigem cautela pois:

1 - O cliente gosta tanto do trabalho arteterapêutico que não quer parar, confundindo a Psicoterapia (tratamento) com o prazer da auto-expressão. Melhor terminar o tratamento e encaminhar à aula de arte;
2 - Pode ocorrer fixação na criação estética ao invés de no real. Nossa tarefa é tratar e não transformar nossos clientes em artistas. Esta é a função do arte-educador; 
3 - Em prol da estética, confundir noções de saúde. Exemplo: atrizes, manequins, modelos, bailarinos que, em função de modismos, sacrificam seu equilíbrio interior e sua saúde física. Os modelos estéticos costumavam ser os mesmos dos da saúde na Grécia antiga. Atualmente é difícil a manutenção desta relação pois a estética teve diversas modulações;
4 - Estimular o imaginário sem produzir criações consistentes; 
5 - Fugir do real em direção à criação estética sem integrar o que ocorre para aprender a viver melhor.

Isto nos destaca a importância do Terapêuta da Arte ser antes de mais nada, um bom Clínico e paralelamente ocorrer o aprendizado do manejo do instrumental da criação e expressão estética (Desenho, Pintura, Modelagem, Música, Canto, Dança, etc). Quais os limites acadêmicos? Quem pode ser Terapeuta da Arte? A Psicologia já aderiu a todo este conhecimento. Em São Paulo a ECA, FAAP, PUC-S. P. já apresentam cursos na área. Rio, Goiânia, Belo Horizonte possuem programas. A APAE inclui Arteterapia nos seus cursos. Há vários institutos que se apoderaram dos métodos de ensino. Nosso curso recebeu ciência do C.R.P., do MEC e ultimamente a licença para especialização, possuindo 3 níveis (I, II, III). O que há de novo, metodologicamente falando? Produzimos nestes últimos anos uma metodologia de ensino e de tratamento que permitiu a instalação de um núcleo arteterapêutico na Universidade Brasileira, partindo das diferentes abordagens inicialmente apresentadas. Estas estruturas teórico-práticas são de fácil assimilação desde que o profissional tenha já consciência clínica e noções básicas das relações entre Arte e Saúde. Os conhecimentos prévios da Psicologia além da História da Arte, Psicologia da Arte e a estruturação das técnicas projetivas; as contribuições dos estudiosos do movimento como R. Laban que estabeleceram a ponte entre o psicológico e o kinestérico e outros da bioenergética são importantes no contexto arteterapêutico pelas relações ergonômicas possíveis. As contribuições de F. Capra endossaram nossos estudos sobre as qualidades terapêuticas dos materiais: propriedêutica dos materiais. Nossas pesquisas no país nos remeteram ao estudo dos elementos da natureza como materiais das sessões. Incluímos árvores, tintas naturais, papel maché, papel artesanal, cera de abelha e sementes formando uma Eco-Arteterapia. A Arteterapia nos hospitais tem várias vantagens como o atendimento do paciente no leito ou nas salas de espera. São usuais salas de atendimento coletivo a crianças. O Centro Odontológico deAraçatuba contém Arteterapia aos pacientes deficientes mentais. Atualmente a arte é utilizada como veículo nos treinamentos empresariais. Entre os próprios artistas o valor terapêutico das atividades tornou-se significativa na auto-correção e na profilaxia. O apoio da Semiótica, principalmente nos aspectos sociais amplos da Psicologia da Arte e da Arteterapia permitiu que os métodos fossem mais facilmente transmitidos no país derivando daí pesquisas interculturais. Na Europa, Ásia, América do Norte, os cursos de Pós graduação fornecem uma ciência da Terapia pela Arte em nível de mestrado. Após ministrarmos 10.000 horas de aula por todo o país e nas principais universidades, após incluir em nosso trabalho a Eco-Arteterapia, após a revisão das temáticas atuais acreditamos que com a Associação Brasileira dos Terapeutas da Arte e com novos congressos ocorrendo (estamos organizando o 3º Congresso Brasileiro de Arteterapia) optaremos pela legalização e inclusão desta cadeira no curriculum brasileiro. Convidamos os colegas para a Associação assim como para nossos cursos e seminários, principalmente o seminário "Coluna da Vida". (vide datas) Nosso curso permite a instrumentalização adequada do psicólogo e terapeutas da Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Medicina no uso da Arte como meio de avaliação e tratamento nas diferentes abordagens e técnicas. Destacamos, em seguida um caso clínico (Z) no qual pudemos observar a influência das técnicas projetivas, da terapia familiar, do acompanhamento terapêutico da bioenergética e de R. Laban, da terapia artística antroposófica, dos modelos junguianos, da medicina antroposófica e da apreciação estética, da psicopedagogia e, finalmente, do papel social dos hospitais dias e do atendimento a céu aberto. O cazo Z é um exemplo da transição da Psicologia Clássica à Arteterapia. O caso Z recebeu o diagnóstico clássico de Esquizofrenia Hebefrenica. Tendo passado por 2 internações nos foi encaminhado para reintegração psicosocial. Como Z não falava, a comunicação durante 1 ano foi através da arte, das caminhadas matutinas, das visitas a parques, a museus e o grande bom humor surgido dentre tantas dificuldades permitiu fazer da verdade o alimento da relação. Após 18 meses Z passou a freqüentar o Hospital Dia, com sucesso. O psicodiagnóstico clássico permitiu destacar seus potenciais, a comunicação através das lendas e contos permitiu a conversa em nível transindividual; suas expressões artísticas fortaleceram seu ego; a cidade de São Paulo foi uma imensa sala de atendimento. A alegria permitiu o retorno a vida. Através da bioenergética e do método de Laban fez-se a reestruturação corporal. Novo caso foi criticado pela "Psicopatologia da Expressão" e pela equipe da Clínica Fênix. Quantos casos assim poderá atender ao mês? (Dr. Carlos Hojaj nos perguntou). Não pode ser esquizofrenia!!! (Fênix). Reiteramos o que falamos em "A Arte Cura?" "Cabe ao terapeuta tratar e a cura é uma benção divina". O milagre é conquistado diariamente.


Maria Evangelice.


Pólo:São Francisco

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